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20Set

Cuidado com os "stakeblockers"!

Gestão

Construimos a nossa história profissional e pessoal através de projetos.

Desde muito pequenos temos sonhos, como por exemplo, sermos jogadores de futebol, artistas de cinema, médicos, engenheiros, professores, astronautas ou super-heróis. Em primeiro momento admiramos um adulto como referência nestes sonhos, contudo, sem ter a exata noção de como chegaremos até a realização deste sonho, essa visão de realização já é uma estrutura preliminar de um projeto de vida.

A escolha de uma profissão é um projeto que começa com o vestibular e termina com o diploma aonde as métricas são as notas das provas ao longo do curso. Assim como o casamento também é um projeto que começa com um pedido de noivado e termina com a chuva de arroz. Ressaltando que se o casamento acabar é porque houve um novo projeto de um dos cônjuges ou ambos.

Por simples definição, um projeto precisa ter um bom planejamento e execução com início, meio e fim, possuir indicadores mensuráveis e entregas acordadas com a expectativa inicial.

Ao longo da minha experiência pessoal e profissional sempre tive uma busca incessante e incansável de realizações através de projetos. Mesmo com os diversos fracassos na minha jornada, a sensação prevalecente sempre foi a vitória porque o aprendizado era o prêmio. Sem hipocrisia. Executar um projeto que você acreditou mas não deu certo amplifica suas forças para planejar o próximo projeto e obter êxito. Iniciar um projeto significa correr riscos. Não existe nenhum tipo de projeto, seja pessoal ou profissional, que não acompanhe uma carga razoável de riscos. Quanto maior o desafio, maiores são os riscos e as possibilidades de insucesso. 

A ambição é uma força interior que impulsiona e dá força para acreditar que seja possível conquistar algo maior ou inédito, ela só é maléfica quando acompanhada por soberba ou arrogância. É uma energia de dentro para fora do indivíduo dotada de grande poder de transformação. Em contra-ponto, existe uma energia de fora para dentro que drena toda sua capacidade de resiliência e inovação, imprescindível para evitar o fiasco.

Muitas pessoas desistem antes mesmo de começar seus projetos com medo do fracasso, entretanto proponho classificar o fracasso como denominação dos outras pessoas e não como reconhecimento do próprio indivíduo. Por exemplo, todo bebê que busca autonomia inicia o projeto: “Eu vou andar!”, e começa seus primeiros passos caindo, se machucando e chorando. A maioria das pessoas ajuda o bebê neste projeto, e assim, sua chance de sucesso aumenta a cada dia. Bebês estimulados pelos adultos a andar e falar, conseguem mais cedo porque o diferencial é o estímulo de fora para dentro do indivíduo, o estímulo interior é o mesmo para todos eles, é instintivo.

Poucos são aqueles que lhe aconselham no seu projeto para dar certo, enquanto muitos são aqueles que torcem para dar errado somente para confirmar que tinham razão. 

Considerando esta interferência externa que gostaria de compartilhar como sendo um dos fatores críticos de sucesso em um projeto. Baseando-se na definição dos “stakeholders”, que são aqueles que afetam ou podem ser afetados pela execução ou o resultado de um projeto, bastante conhecida nas metodologias de gestão de projetos, idealizei uma definição para aqueles que trabalham negativamente para o resultado positivo do projeto, chamados “stakeblockers”.

Os “stakeblockers” não necessariamente atuam de forma consciente contra o seu projeto. Eles simplesmente fazem argumentações, e muitas vezes até bem estruturadas, para convencer você a desistir do seu projeto. Dentro da minha experiência de gestão de projetos na vida profissional, e especialmente na pessoal, percebi que um fator muito importante para a conclusão dos meus projetos era a influência daqueles que não acreditavam no meu projeto. Alguns jargões como: “Isto não vai dar certo!”, “Outros já tentaram e não conseguiram…”, “Você não está preparado.”, “Não está bom do jeito que está?!”.

Receber críticas no projeto são sempre bem vindas, porque sem ouvi-las não conseguimos mitigar riscos que não havíamos enxergado anteriormente. Mas conviver com pessoas que não acreditam no seu projeto é extremamente prejudicial para manter o foco e a disciplina. Por isso muitas pessoas deixam de compartilhar seus projetos e somente avisam aos familiares, amigos e chefes quando eles já estão concluídos. 

Esta armadilha faz com que muitas pessoas desistam muito antes de começar ou até mesmo não consigam apoio pelos simples medo de compartilhar seus projetos que serão sugados pela onda dos “stakeblockers”. E mais, existe uma grande probabilidade dos “stakeblockers” criarem comunidades de “shareblockers”, que são grupos de pessoas que não acreditam no seu projeto e em ressonância enumeram tópicos sobre “o quê vai dar errado”.

Por fim, gostaria de dizer que, por mais difícil que possa parecer, não deixem de compartilhar seus projetos de vida com sabedoria e destreza com as pessoas que agregam valor à sua realização e tenha muito cuidado com os “stakeblockers”. Não contar para ninguém seus projetos também é um risco de não conseguir patrocinadores e aliados para alcançar o seu sucesso.

Rodrigo Rosa
Rodrigo Rosa

Engenheiro mecânico formado há 18 anos pela EFEI com MBA em Gestão Empresarial pela FGV e especialização aeronáutica pelo ITA. Trabalhou como gerente executivo nas áreas de Operações, Engenharia e Projetos em empresas globais de alta inovação tecnológica. Sendo responsável pela implementação do Programa de Lean Manufacturing em grandes empresas como Parker Hannifin (1999), Embraer (2007) e FMC Technologies (2012). Rodrigo é consultor associado ao Parque Tecnológico de São José dos Campos para startups de inovação tecnológica e Gerente de Novos Negócios na Supernova Energia, uma empresa especializada em projetos e soluções de eficiência energética.